Quando se discute a integração dos muçulmanos na Europa (e a construção de minaretes na Suiça) convém lembrar que não é de agora, houve os "metrailleurs" senegaleses na II Guerra, como houve muçulmanos na I Guerra que morreram pela França. Para morrerem em combate, não tiveram problemas de integração. Também não é de agora, felizmente, que há quem lute para que os muçulmanos sejam respeitados como os demais. Na época foi o "maire" do município de La Mulatière, Paul Nas, quem assegurou que os muçulmanos eram enterrados segundo os rituais islâmicos, e bateu-se para que fosse construído o jazigo, que só foi concluído em 1936 (entretanto esquecido sob as ervas, e redescoberto em 2006 pelo historiador amador Frédéric Couffin).
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Os soldados não gostam de planíceis VI (os muçulmanos incluídos)
Quando se discute a integração dos muçulmanos na Europa (e a construção de minaretes na Suiça) convém lembrar que não é de agora, houve os "metrailleurs" senegaleses na II Guerra, como houve muçulmanos na I Guerra que morreram pela França. Para morrerem em combate, não tiveram problemas de integração. Também não é de agora, felizmente, que há quem lute para que os muçulmanos sejam respeitados como os demais. Na época foi o "maire" do município de La Mulatière, Paul Nas, quem assegurou que os muçulmanos eram enterrados segundo os rituais islâmicos, e bateu-se para que fosse construído o jazigo, que só foi concluído em 1936 (entretanto esquecido sob as ervas, e redescoberto em 2006 pelo historiador amador Frédéric Couffin).
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Zèd
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21:11
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segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
E por falar em muros...(atualizado)
... pouco ou quase nada tem se falado do “muro da vergonha”, que está sendo levantado ilegalmente por Israel nos territórios palestinos. Parece-me que uns muros são mais especiais que outros. Na foto debaixo, ativistas palestinos comemoram o aniversário da queda do Muro de Berlim tirando um pedaço do muro de segurança levantado por Israel. Mais (em castelhano).
O grafite no muro é de Banksy.
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Manolo Piriz
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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Uma boa iniciativa de administração aberta
Surgiu recentemente um serviço público bem útil para melhorar a qualidade de vida nos municípios portugueses. Chama-se autarquias.org, e é um site que permite a qualquer cidadão apresentar as suas queixas, denúncias, alertas sobre todo o tipo de deficiências passíveis de serem reparadas pelas autarquias locais. Uma ideia simples mas muito eficiente, a atender pelo número e variedade de denúncias que já estão aí visíveis para todos lerem. Mão amiga fez-me chegar um texto de divulgação da iniciativa, que aproveito para transcrever:«Caro cidadão,
A partir de hoje, tem ao seu dispor a plataforma autarquias.org.
Com o autarquias.org os cidadãos podem alertar os municípios para as mais variadas situações, desde de Lixos na via pública, postes de iluminação que não o funcionam, buracos na via pública, equipamento danificado, problemas nos abastecimentos, ou outros tipos de problemas, que muitas das vezes as Câmaras Municipais não tem conhecimento.
Os cidadãos podem acompanhar as respostas das autarquias aos alertas apresentados por outros cidadãos, como também participarem nesses mesmos alertas adicionando comentários.
O autarquias.org permite também a criação de debates por cidadãos que pretendem discutir assuntos que lhes pareçam pertinentes com outros cidadãos e com o próprio município ou questionar a autarquia sobre um assunto do interesse de todo o município, como também a abertura de petições.
Participe neste projecto:
www.autarquias.org».
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Daniel Melo
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quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Enquanto o tempo for permitindo
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Sofia Rodrigues
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22:54
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No aniversário das eleições de 1969
Durante as eleições de 1969, as primeiras do marcelismo, o padre Felicidade Alves não pôde participar tanto quanto queria devido ao processo canónico que estava a decorrer, após ter sido removido de pároco de Belém, em 1968, por causa das posições que tomou contra a guerra colonial. Em 1970 foi excomungado pelo cardeal Cerejeira. Aderiu ao PCP. Reconciliou-se com a Igreja Católica em 1998, por ocasião do seu casamento celebrado pelo actual cardeal-patriarca. Escreveu uma carta a apoiar a Comissão Democrática Eleitoral (CDE), que foi publicada no boletim na CDE de Lisboa, em Outubro de 1969. Eis alguns excertos:«(…) para já, o manifesto da nossa “irmã” – a CEUD – deu-me uma alegria imensa. O que ali se diz ficará como monumento duma viragem política: poder-se atacar sem rodeios o mito nacional-patrioteiro de que “aquilo é nosso e sempre o será” (como se um povo pudesse ser proprietário de outros povos!) é um gesto histórico. Eu seria mais radical, mais explícito em certos pontos: mas é imenso o passo que se deu. (…)
Penso que não se deve deixar passar nem um dia nem uma ocasião para denunciar ao público – e obrigar as pessoas honestas que deram o seu nome às listas da UN a reconhecerem se sim ou não – as criminosas arbitrariedades e as esmagadoras cilindragens operadas pelas duas patas destruidoras de que dispõe a situação prevalecente: A Censura e a Pide. (…)
A nossa luta não termina no dia 26 de Outubro. Ou melhor: é então que a nossa luta mais se impõe e se deve intensificar. Como? Ver-se-á. Mas o ideal, a utopia (no sentido nobre da palavra) é a construção duma sociedade em que reine a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade; em que não haja classes ou pessoas privilegiadas (….)
Finalmente, há uma esfera de problemas que vós não tratareis, mas que para mim são fundamentais. Refiro-me ao incestuoso conúbio entre as coisas políticas e as coisas sacrais, entre as hierarquias eclesiásticas e as autoridades políticas, entre as estruturas de pensamento clerical e as estruturas de pensamento opressivo e repressivo. É um vasto mundo de infiltrações recíprocas, extremamente insidiosas, que urge desmascarar. O regime concordatário, em que vivemos, amordaça mais a Igreja do que o Estado: mas sobretudo é nefasto para os cidadãos e para os crentes. Mais do que o regime jurídico, são as situações de facto, em que a igreja católica dá cobertura moral à Situação e às suas prepotências, e a Governação oferece o seu braço secular armado aos interesses (aliás equívocos) da religião dominante. Vós não entrareis nessa problemática e fazeis bem. Deixai – a nós – cidadãos como vós, além disso discípulos convictos do profeta Jesus de Nazaré. E, nesse sentido, em breve serão difundidos alguns textos [e foram, nos Cadernos do GEDOC, publicação semi-clandestina que se tornou clandestina e acabou quando os seus organizadores foram presos pela PIDE] em que serão focados temas nevrálgicos, como o casamento concordatário e as suas injustiças; o serviço antievangélico e degradante dos capelães militares, as ambiguidades do ensino da religião e moral nas escolas; a abusiva intromissão do Governo na nomeação dos bispos; o regime das missões católicas, etc.»
As Eleições de Outubro de 1969. Documentação básica, Lisboa, Publicações Europa-América, 1970, p. 115-116.
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João Miguel Almeida
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21:13
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segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Um programa para 4 anos?
O 18.º governo constitucional português apresentou o seu programa de governo no parlamento, que não é mais do que o decalque do programa eleitoral do PS.As oposições criticaram o gesto do novo governo, acusando-o de arrogância e de insensibilidade face aos resultados eleitorais, uma vez que aquele programa fora esboçado tendo a expectativa duma maioria absoluta (teria?) e não contempla soluções de compromisso para imbróglios passados, como o conflito com os professores do ensino básico e secundário. Tentando contornar estas críticas, o governo contra-ataca com o anúncio de medidas avulso consensuais ou, pelo menos, sensatas, como a limitação do mandato do premiê e dos líderes dos governos regionais.
Para os interessados, e para efeitos de escrutínio público, senhoras e senhores, eis o Programa do XVIII Governo Constitucional (2009-2013). Boa leitura... e boa sorte!
Nb: o cartoon é de GoRRo e foi patrocinado pela Adega Cooperativa Estratégica.
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Daniel Melo
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22:40
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Debate sobre a difusão do conhecimento científico
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Daniel Melo
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domingo, 1 de Novembro de 2009
Toucinho do céu
cartoon de GoRRo (c) 2009
Nb: a complementar com «Investigadores dizem que "rede tentacular" incluía Vara e Penedos» e «Armando Vara: o polémico banqueiro acidental», este último afastando metáforas de luta na lama...
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Daniel Melo
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22:41
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sábado, 31 de Outubro de 2009
Claro que é apenas um pequeno passo insignificante (dirão os cínicos)
Como diz o próprio Obama, essa interdição há 22 anos, foi "baseada mais no medo do que em factos".
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Zèd
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sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Os melhores discos portugueses de 1960-2009?
A revista de música Blitz fez 25 anos e para celebrar a data, resolveu eleger os melhores discos de música portuguesa dos últimos 50 anos. Por que não se limitaram aos últimos 25 anos não me perguntem, que não sei, sou ignorante nas lides.A eleição coube a uma «Academia Blitz», uma equipa de mais de 50 individualidades do mundo da música, deste críticos e músicos a promotores. Eles escolheram 5 álbuns por década desde 1960. Hoje, o Público resolveu divulgar 25 dos álbuns eleitos como se fosse a lista completa. Como todas as listas (rankings, olé!), esta também é discutível, pelo menos a dos 25, atenção. Numa primeira olhada, constatei a presença dalgumas referências incontornáveis (Paredes, Amália, Carlos do Carmo, Fausto, Rui Veloso, etc.), mas também a ausência de alguns compositores/autores/cantores incontornáveis, como Sérgio Godinho, Brigada Victor Jara, António Variações, já para não falar doutros com relavância, seja em termos «sociológicos» seja em termos de reformulação da música tradicional popular (Xutos & Pontapés, Amélia Muge, etc.). E a presença doutras discutíveis, como os Humanos. Contudo, a lista completa de 170 álbuns («de sempre»?!) parece que só será conhecida na edição de Novembro da Blitz. Ou seja, mais uma vez o Público pôs o pé na poça, ainda por cima tendo um dos seus críticos (Vitor Belanciano) no júri!!! Resta-nos aguardar para ver. Espero que a lista final também contemple álbuns pouco conhecidos como o de música instrumental de Nuno Canavarro & Carlos Maria Trindade («Mr. Wollogallu»), que, para mim, é um álbum único no campo da música instrumental a nível internacional.
Mini-lista dos discos portugueses eleitos pela revista Blitz (1960-2009)
Anos 60
1. Carlos Paredes - Guitarra Portuguesa
2. Amália Rodrigues - Busto
3. José Afonso - Cantares do Andarilho
4. Filarmónica Fraude - Epopeia
5. Alfredo Marceneiro - The Fabulous Marceneiro
Anos 70
1. José Afonso - Cantigas do Maio
2. Carlos Paredes - Movimento Perpétuo
3. José Mário Branco - Mudam-se Os Tempos, Mudam-se as Vontades
4. Amália Rodrigues - Com Que Voz
5. Carlos do Carmo - Um Homem na Cidade
Anos 80
1. Rui Veloso - Ar de Rock
2. Heróis do Mar - Heróis do Mar
3. GNR - Independança
4. Fausto - Por Este Rio Acima
5. Madredeus - Os Dias da Madredeus
Anos 90
1. Pedro Abrunhosa – Viagens
2. Mão Morta - Mutantes S. 21
3. Ornatos Violeta - O Monstro Precisa de Amigos
4. Rui Veloso - Mingos & Os Samurais
5. Ornatos Violeta - Cão
Anos 00
1. Humanos – Humanos
2. Camané - Esta Coisa da Alma
3. Dead Combo - Vol. 1
4. Sam The Kid - Beats (vol.1)
5. Rodrigo Leão - Cinema
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Daniel Melo
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22:11
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Uma sedutora arma contra o terror
Bem, não sei se esta arma é eficaz contra o terrorismo, mas é bem sedutora e original a coisa. Indianos revoltados após um ataque contra mulheres que bebiam em um bar se uniram para mandar um presente a militantes extremistas: cuecas. Mais de 5 mil pessoas, incluindo muitos homens, aderiram ao grupo, que se autodenomina Consortium of Pub-going, Loose and Forward Women (em tradução livre, Associação de Mulheres Avançadas, Fáceis e Frequentadoras de Bares) ou CPLFW no site de relacionamentos Facebook. Continua.
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Manolo Piriz
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Conversa pública contra a corrupção
A Direcção-Geral de Arquivos (DGARQ)* promove no dia 10 de Novembro, às 17h, uma conversa pública com o presidente do Tribunal de Contas e do Conselho de Prevenção da Corrupção, Guilherme de Oliveira Martins sobre «Accountability - Transparência administrativa - Arquivo».Portugal viveu durante 48 anos sob uma ditadura que suprimiu os direitos políticos básicos dos cidadãos. Durante o período do Estado Novo, os portugueses estiveram, de facto, arredados da escolha e da definição das políticas públicas e do escrutínio da acção governativa. Depois da instauração da Democracia e, sobretudo, após a adesão de Portugal à CEE (1986) surgiu a preocupação de estabelecer mecanismos de controlo e de «public accountability» da acção de todos os representantes eleitos para os órgãos de soberania, governos regionais e autarquias locais. A obrigação de «prestar contas» à sociedade resulta do princípio da responsabilidade e da autoridade partilhadas (eleitores/eleitos).
Porém, no século XXI, verifica-se que no nosso país continua a existir um enorme fosso entre os quadros legais, entretanto ‘europeizados’, e as práticas concretas. Ora os arquivos (instituições e profissionais) têm um papel fundamental a desempenhar no reforço dos mecanismos de fiscalização da acção político-administrativa (tanto a nível central como a nível regional e local) por parte da sociedade civil. Os arquivistas e os arquivos públicos visam uma eficaz gestão da informação no seio das organizações onde se inserem, mas tendo como fim último uma gestão responsável e eficiente da ‘coisa pública’. Encontram-se ao serviço dos cidadãos e do bem comum e nunca ao serviço de interesses particulares deste ou daquele político/ governante/ superior hierárquico. Considero que os arquivistas devem afirmar-se como agentes pró-activos da imparcialidade e da transparência na Administração Pública, numa perspectiva de reforço da democracia participada e participativa.
Saúdo a iniciativa DGARQ pois é urgente reflectir sobre o problema da falta de transparência na máquina do Estado e "avaliar o papel e a qualidade dos sistemas de arquivo enquanto meios de contribuição para uma maior cidadania participativa e combate à corrupção".
O programa está disponível aqui.
Tudo indica que se seguirão outras conversas públicas (o título é excelente!) promovidas pela DGARQ. Espero que sejam muito participadas e frutuosas.
__
*Alameda da Universidade, 1649-010 Lisboa
Imagem retirada do blogue Imprensa Livre.
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Cláudia Castelo
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Labels: arquivos, combate à corrupção, transparência
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
No país esquecido
Na ressaca do DocLisboa, apercebi-me da importância dum documentário português que entretanto arrebanhara 6 prémios. Estou a falar de «Pare, Escute, Olhe», de Jorge Pelicano, que aborda o encerramento da linha ferroviária do Tua e o seu impacto nas populações locais. É que, entrementes, soube-se do encerramento (ainda que 'temporário') doutras linhas do Portugal das margens, isto é, daquele país que vale poucos votos. Lado a lado com a discussão sobre o TGV, as pontes rodo-ferroviárias ou só ferroviárias (Lisboa), etc.. Lado a lado: questões que deviam ser equacionadas em conjunto, correm em linhas paralelas, e não aparentam ir encontrar-se num futuro breve.Ainda sobre o documentário, cujo trailer pode ser visto aqui, recomendo a leitura do post «Agora só falta aqui o cimento», do Daniel Oliveira.
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Daniel Melo
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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
Nuvens negras sob o éden português
Recentemente, vários relatórios internacionais evidenciaram uma queda de Portugal em vários indicadores importantes, de 2008 para 2009. Refiro-me ao Índice de Desenvolvimento Humano da ONU (34.º lugar, com queda de 1 lugar), ao ranking internacional de corrupção (32.º lugar, com descida de 4 lugares; ap. Transparência Internacional), ao ranking da liberdade de imprensa (40.º lugar, com queda de 14 posições, ap. Repórteres Sem Fronteiras), e ao índice global da desigualdade de género (46.º lugar, com queda de 5 lugares; ap. NoGlobal Gender Gap Index2009).
Para quem gosta tanto de estatísticas, de rankings e de «avançar Portugal», a performance foi sofrível. Nuvens negras sob o éden português, ou muito trabalhinho de casa para o novo governo emendar.
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Daniel Melo
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23:50
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Um simplex engripado
«Pais de alunos doentes devem ter dispensa de atestado médico» em caso de infecção dos seus filhos pelo vírus da gripe A, é o conselho sensato do vice-presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral, Rui Nogueira.
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Daniel Melo
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terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Via rápida para um jornalismo diferente
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Daniel Melo
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Aline Calixto, o novo sabor do samba
O que há de novo na MPB? Musicalmente, nada de novo no Reino Tupiniquim. Apenas promessas. E de promessas o purgatório está cheio. O que realmente tem aparecido de novidades são as “inhas”: meninas bonitinhas, musiquinhas redondinhas, letrinhas quadradinhas e artistas fominhas (tipo multifacetadas - aliás, elas adoram usar esta maldita expressão durante as entrevistas para os globais Jô Soares e Serginho Não Sei O Que Das Coves). Mas tudo tem uma exceção. E essa exceção chama-se Aline Calixto, que há muito deixou de ser uma promessa pra se tornar uma grata realidade.
Graças ao bom Deus, Aline não é a dita artista multifacetada. Tem coisas próprias sim, mas também grava e recria outros bons compositores. Carioca de nascimento e mineira de criação (onde vive há mais de 20 anos – tem hoje 27), Aline trouxe novo sabor, brilho e frescor ao samba.
Nascida para o samba em Vicosa (MG) e consagrada na Lapa (RJ), ela sabe como ninguém a receita exata de como fundir o samba carioca ao das rodas mineiras, com ingredientes que vão desde os mais tradicionais, como compositores do calibre de Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, Monarco e Nelson Sargento, com o sangue novo (e bom) dos mineiros Rodrigo Santiago, Toninho Geraes, Toninho Nascimento, Affonsinho e Renegado. Seu disco bem que poderia ser chamado de “Sabores”. Tem gosto original. Não é aquela mesmice de um prato requentado servido à la carte pela poderosa industria fonográfica. Enfim, é um disco para paladares exigentes.
Para aqueles que realmente gostam de novidades na MPB, Aline Calixto é o que de melhor surgiu em Pindorama nos últimos anos. O resto são coisinhas que o tempo se encarregará de esquecê-las. Para saber mais: site, blogue, MySpace e Twitter. Como se vê, ela também é uma verdadeira WEB 2.0. Saravá!
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Manolo Piriz
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Labels: Aline Calixto, MPB, Música Brasileira
Passado e futuro nas urnas do Uruguai
Este domingo, o povo uruguaio foi chamado a pronunciar-se em várias eleições: presidenciais, legislativas e referendos. Nas presidenciais o candidato da coligação de esquerda, a Frente Amplio, quase evitou uma 2.ª volta (a realizar a 29/XI). Nas legislativas, a mesma coligação assegurou maioria parlamentar (e no Senado, caso ganhe as presidenciais). Na América do Sul, continuam a dominar os governos de esquerda ou centro-esquerda.
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Daniel Melo
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domingo, 25 de Outubro de 2009
Festival de banda-desenhada da Amadora na 20.ª edição
O Festival Internacional de BD da Amadora regressou esta 6.ª feira, e com aniversário redondo. Em destaque, Astérix e a «turma da Mônica», e tributos a Vasco Granja e Adolfo Simões Müller, além do reforço do contingente português. O FIBDA é já um evento incontornável na área, mas com debilidades na programação e no projecto (vd. aqui a análise de Carlos Pessoa).
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Daniel Melo
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19:06
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Com que voz
«Com que voz» é um grande, um imenso documentário de Nicolas Oulman sobre o seu pai, Alain Oulman, premiado na edição de 2009 do DocLisboa. Para mim, que sabia vagamente que Alain Oulman compusera músicas e escrevera letras para Amália Rodrigues, o documentário foi a oportunidade de descobrir uma grande figura do recente passado português, europeu, universal. Fiquei a saber que Alain Oulman foi também homem de negócios por condicionamento familiar, encenador, prisioneiro da PIDE e exilado, editor em Paris de Mário Soares, Patricia Highsmith e Amos Oz. O documentário é muito bom. Não é apenas uma história bem contada, tem momentos sublimes. As entrevistas não são simples depoimentos, possuem um tom de intimidade e pudor que talvez só pudesse ser captado por um filho do biografado. Para quando uma daqueles livros volumosos com uma biografia de Alain Oulman?
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João Miguel Almeida
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sábado, 24 de Outubro de 2009
E Crumb recria o Universo
E não é que o santificado ícone da cultura underground dos comics resolveu recriar o Universo. É isso mesmo. Só que não foi em 7 dias. Tudo bem que o cara é também considerado por muitos um Deus lisérgico da Banda Desenhada. Mas tem lá os seus limites como qualquer outra criatura na face da Terra.
Depois de 4 anos de intensos estudos, Robert Crumb editará no próximo dia 29 sua tão aguardada versão ilustrada dos 50 capítulos do Livro do Gênesis. O lançamento ocorrerá simultaneamente nos Estados Unidos, 10 países europeus e Brasil.
Para aqueles que esperam do criador de “Mr. Natural” e “Fritz the Cat” uma adaptação livre tipo sexo, drogas e rock 'n' roll certamente quebrarão a cara. Nesse trabalho, o autor optou por seguir o texto original sem qualquer outro simbolismo ou perversão. “Delírios ou não, as histórias do Gênesis são maravilhosas, como todos os mitos. Por que mudá-las? Um Deus mulher. E preta, porque não. E, além disso, revelo, o desenhei como me apareceu num sonho... E olha que estou sóbrio há muitos anos”, diz Crumb. Enfim, parece-me que a Bíblia está na moda.
PS. Clumb também fez a famosa ilustração da capa do disco “Cheap Thrills” (1968), da sua grande amiga Janis Joplin.
Fonte e imagens La Vanguradia (ES).
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Manolo Piriz
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«Dois homens de boa fé...»
Ontem só vi uma parte do debate entre José Saramago e o padre Carreira das Neves na SIC. Carreira das Neves teve em dificuldade de sair da pele de especialista que emprega termos inacessíveis ao grande público. E não foi capaz de explicar uma questão básica: por que é que a Igreja Católica não faz uma leitura literal da Bíblia. É que o cristianismo, em rigor, não é uma «religião do livro», como o islamismo. Antes do Corão não havia
islâmicos. Quando os textos do Novo Testamento foram reunidos o cristianismo já existia há pelo menos um século. O cristianismo acredita numa pessoa – Jesus da Nazaré – que fez de outras pessoas o fundamento da Igreja. O Corão foi ditado por Alá. Cristo não escreveu uma linha da Bíblia. É à luz da passagem de testemunho sobre a vida de Cristo, da tradição e da tentativa de compatibilizar fé com razão que a Bíblia é interpretada pela Igreja Católica.É claro que os textos da Bíblia podem ser interpretados de acordo com outras fés ou de nenhuma fé. Como tudo o resto nesta vida.
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João Miguel Almeida
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sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Nadav Kander vence Prix Pictet 2009
O israelita radicado no Reino Unido, Nadav Kander, foi o grande vencedor da segunda edição do Prix Pictet para a sustentabilidade ambiental, cujo tema deste ano foi “Terra”. Kander foi escolhido pelo trabalho “Yangtze, The Long River Series (2006-07)”, que mostra as bruscas mudanças na paisagem nas localidades ao longo das margens do rio Yangtze. O anuncio foi feito hoje por Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU e presidente honorário do Prix Pictet. Mais informação aqui.
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Manolo Piriz
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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Prix Pictet
Será divulgado amanhã o vencedor da segunda edição do Prix Pictet, concurso internacional de fotografia que destaca temas relativos à sustentabilidade. O tema deste ano foi “Terra” e reuniu mais de 300 trabalhos de todo o mundo. Clique na imagem pra ver todas as fotos finalistas ampliadas e detalhes sobre os respectivos fotógrfos.
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Manolo Piriz
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20:29
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Labels: fotografia, Prix Pictet
Activismo Cultural

Martin Firrell é activista cultural e projecta mensagens digitais inesperadas em edifícios públicos, no caso da imagem que ilustra este apontamento, a St. Paul's Cathedral em Londres. Aqui fica!
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Paula Tomé
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quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
A última peça do puzzle saramaguiano
«Saramago: Há muita coisa na Bíblia que vale a pena ler»
Nb: sobre esta polémica outonal com final feliz, entretanto a concorrência veio no nosso encalço e lá desenrascou vários posts interessantes, que recomendo - «Caim» e «Falta-lhe a pátina, ainda bem...» (jrd); «Versículos satânicos» (Ricardo Noronha); «Bíblia» (Bruno Sena Martins); «Parte do ‘manual de más práticas’ de que eu gosto» (Nuno Ramos de Almeida); «Ópio do Povo» (Zé Neves); «um herege dos pequeninos» (Pedro Vieira). A imagem reproduz um cartoon de Mel Calman e é repescada duma série de posts que publiquei no Peão, em IX/2008, e que teve início precisamente nessa «Insegurança celestial».
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Daniel Melo
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Protestos e protestantes
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João Miguel Almeida
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terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Outono
E esta canção que me invadiu o espírito com as primeiras chuvas e o primeiro frio, Rod Stewart, 'In a Broken Dream' -- Song Premiere - Spinner# .
Desculpem, não ter conseguido postar de uma maneira mais eficiente.
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Sofia Rodrigues
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No que dão as maiorias absolutas...
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Daniel Melo
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Debater Saramago
Este post começou por ser um comentário ao post anterior do Daniel Melo, como o meu primeiro texto começou por ser um comentário ao JRD. Mas como o tema pedia um certo desenvolvimento decidi atirá-lo para a linha de frente do blogue. Esta entrevista que o Daniel Melo lincou não corresponde às declarações de Saramago no lançamento de Caim. Mas cá vai o meu comentário: acho piada o Saramago dizer que não se deve deixar a Bíblia nas mãos de um adolescente. Então um adolescente pode ler o Caim e não pode ler a Bíblia? Ou não pode ler nenhum dos livros? Isso não é um atentado à liberdade de informação e de formação? Segundo Saramago durante a minha adolescência não devia ter lido a Bíblia. Segundo algumas pessoas que conheci durante a minha adolescência não devia ler Saramago. Eu li ambos e por isso estou em condições de intervir sobre a polémica.A visão da Bíblia como um livro repleto de violência não é nova nem é falsa. Basta pensar na personagem-narrador de Laranja Mecânica, a história de um jovem viciado na violência, na leitura do Antigo Testamento e na música de Beethoven, escrita pelo católico Anthony Burgess e levada ao cinema por Stanley Kubrick. Uma distopia em que a ambição de controlar o corpo e a mente não vem da Igreja, mas da ciência e em que a defesa do livre-arbítrio subjacente à narrativa se enraíza na formação católica do autor. Se pensarmos bem quem é que hoje em dia exerce maior controlo sobre o corpo dos portugueses: a Igreja Católica ou a ASAE?
Saramago tem toda a legitimidade para apresentar a sua visão da Bíblia, como eu tenho para o contestar. Vamos então às questões de fundo segundo o Daniel Melo: a irracionalidade das religiões e o seu carácter opressivo. A fé tanto pode ser um instrumento de dominação como de libertação. Uma das linhas narrativas fundamentais do Antigo Testamento é a libertação do povo hebraico do domínio egípcio e a busca da terra prometida. Mesmo dentro da sociedade hebraica descrita na Bíblia há uma forte tradição profética de denúncia dos abusos dos poderosos. Esta vertente libertadora das religiões não é exclusiva da tradição judaico-cristã. Recentemente os monges budistas têm desempenhado um papel importante na luta pela democracia no Myanmar, como se pode ler aqui (por acaso um site católico).
A condição humana tem um lado irracional. E as religiões, sendo vividas por humanos transportam essa irracionalidade. Há desenvolvimento religiosos patológicos, mas o que está na sua origem é uma busca de sentido. O que eu leio na Bíblia é um constante questionamento das razões de Deus – que tem um dos seus pontos mais radicais no Livro de Job – e das razões dos homens. Leio também na Bíblia uma racionalização da violência e uma apresentação das razões da não-violência. A primeira aparece de forma primitiva na lei do talião - «olho por olho, dente por dente», que era uma forma de interditar a morte ou a vingança sobre os familiares de quem partisse um dente ou arrancasse um olho a outra pessoa. O Novo Testamento vai mais longe ao propor «amar o próximo como a si mesmo» e «amar os inimigos.» Há outra frase que também se encontra por lá, da qual eu gosto muito e que não é estranha ao conceito de laicidade: «Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.»
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João Miguel Almeida
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segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
O céu pode esperar
As declarações pirómanas de Saramago no lançamento mundial do seu último romance, em Penafiel, tiveram o condão de atear uma polémica brava. Para o escritor ser-lhe-á indiferente, ou mesmo desejado, segundo a lógica de que o que é polémico chama mais a atenção e, logo, lê-se mais. Mas, atendendo à progressão errática que bafeja a história das polémicas, receio que nos percamos no estilhaçar aleatório de faúlhas (sobre isso escrevi em post anterior).
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Daniel Melo
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22:14
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Hortas no Museu do Traje
Ainda está aberta a admissão de candidaturas ao cultivo de talhões de horta no Museu do Traje. A ideia é genial e o espaço, no meio do Parque do Monteiro-Mor, maravilhoso.
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Sofia Rodrigues
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18:57
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Uma tarde literária
Feliz, o aniversário de Agustina Bessa Luís organizado pelo CCB. Num ambiente descontraído e pontualíssimo, Mega Ferreira apresentou a escritora e, para aquela tarde, os seus «leitores»: Maria João Seixas, Fanny Owen; Pedro Mexia, As fúrias; Leonor Silveira, Vale Abraão. O próprio Mega Ferreira leu excertos de A Sibila.Cada um falou das razões da sua escolha e do seu gosto por Agustina, da narrativa em «roda livre» para Pedro Mexia, do «fino sarcasmo» para Maria João Seixas que nos deliciou e divertiu com o prefácio e início de Fanny Owen e das evidentes ligações cinematográficas para Leonor Silveira.
Só faltou a voz de Luís Miguel Cintra que, para mim, sempre parece soar na leitura de Agustina.
Uma belíssima tarde literária que espero se volte a repetir na evocação programada para Jorge de Sena.
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Sofia Rodrigues
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18:36
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A polémica antes do romance
Tenho uma certeza acerca de Caim: vou ler o romance e vou lê-lo em breve, abrindo uma excepção à disciplina auto-imposta de não perder muito tempo com leituras que não estejam directa ou indirectamente relacionadas com a minha investigação em curso. Vou lê-lo não por causa das declarações de José Saramago, mas apesar delas, confiante na capacidade narrativa e poética do escritor, atestada na leitura de outros romances como O Ano da Morte de Ricardo Reis e Ensaio sobre a Cegueira. O meu interesse foi aguçado pela leitura do início do romance, aqui. O problema com as declarações de Saramago não é serem politicamente incorrectas ou infelizes. A iconoclastia faz parte da tradição cristã. O próprio Cristo deu as suas chicotadas no templo e escandalizou muita gente. Luís Buñuel, que foi o realizador mais radical na sátira ao catolicismo, considerava-se «ateu pela graça de Deus» - cfr. O meu último suspiro, o livro de memórias do génio espanhol.O problema é a inconsistência das declarações de José Saramago, que se podem ler aqui. Começa por não entender o estatuto do texto bíblico ao compará-lo ao Corão. Segundo a fé islâmica o Corão foi ditado por Deus. Os livros da Bíblia são testemunhos da fé, textos de sapiência, leis, cartas, etc. A carta de um apóstolo não tem o mesmo estatuto de um versículo ditado directamente pelo Deus. Essa é também uma das razões por que a exegese bíblica está muito mais desenvolvida do que a do Corão.
É irónico que Saramago cite Hans Küng, um dos maiores teólogos católicos, profundo conhecedor da Bíblia e que também escreveu um extenso volume sobre o Islão, para fundamentar as suas afirmações. Hans Küng pode ter dito que historicamente a ideia de Deus afastou as pessoas. Mas certamente a teologia que formulou não serve o mesmo desígnio.
Saramago ataca a ideia de inferno. Não sou eu que a vou defender. Há igrejas cristãs protestantes que não acreditam no inferno. Mas o exemplo que o escritor dá para refutar a ideia de inferno é ridículo: «Nós, os humanos somos muito mais misericordiosos. Quando alguém comete um delito vai cinco, dez ou quinze anos para a prisão e depois é reintegrado na sociedade, se quer.» Passo por alto pela hipótese da necessidade de perdão pregada pelo cristianismo ter influenciado a concepção da punição como forma de reabilitação do criminoso. Os humanos mais severos condenam, no máximo, um criminoso a quinze anos de cadeia? Então que pena é que devia ter Hitler? Ou, para citar um exemplo de Saramago, um instigador das Cruzadas? Na China, onde a influência judaico-cristã é mínima, a pena de morte é aplicada a crimes que nos parecem leves.
O romancista termina acusando de idiotia a concepção de que o mundo foi criado em sete dias, concepção que de facto se encontra na Bíblia, mas não é levada no sentido literal do termo nem pela Igreja Católica, nem pelo judaísmo, nem por várias igrejas protestantes.
Nota final: Saramago fala como se as pessoas fizessem guerras em nome de uma abstracção, de um ser nunca visto. Todas as teologias são antropologias e sociologias. E as ideologias ateias também. São concepções do homem e da sociedade que estão na origem dos conflitos. Se o trabalho intelectual pode evitar guerras ou atenuar conflitos é aí que tem de se focar.
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João Miguel Almeida
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11:57
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Forma e conteúdo
O último romance de José Saramago, Caim, já está aí nos escaparates, e a coisa promete dar brado. Pelo menos quanto às suas declarações de lançamento - p.e., «a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana» (vd. mais aqui). As críticas bombásticas não se ficam pela Bíblia, alarga-as ao Corão, enfim, a todas as religiões. Sobre o livro, há que lê-lo. Sobre as declarações, há quem diga que foram infelizes, não na substância mas na forma: aqui levantará, seguramente, polémica (mas, atenção, JRV, que ele não qualificou ninguém de estúpido). Cabe relembrar que Saramago gosta de lançar debate e polémica nos seus lançamentos e noutras declarações, digamos, de intervenção política ou cívica. Seja como for, o contraproducente será se se ficar só pela forma destas declarações e não se olhar para o romance, o princípio de tudo isto.
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Daniel Melo
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domingo, 18 de Outubro de 2009
Fogo acaba com acervo de Hélio Oiticica
Pelo menos 90% das obras do artista plástico tropicalista Hélio Oiticica foi destruída devido a um incêndio na noite de ontem no primeiro andar da casa da família. Lá estavam abrigadas mais de 1.000 peças do acervo do “Projeto Hélio Oiticica” e quase nada se salvou.
A expressão “Tropicália” teve origem em um projeto ambiental do então arquiteto Oiticica na exposição “Nova Objetividade Brasileira”, exposta no MAM no Rio de Janeiro em 1967. Esta mostra teve como objetivo a busca de uma linguagem estética puramente brasileira, confrontando-a com os grandes movimentos artísticos mundiais.
O vídeo “H.O” (aqui dividido em 2 partes), de Ivan Cardoso (1979), focaliza a obra de Oiticica, com texto poético de Haroldo de Campos. Participam também: Caetano Veloso, Carlinhos do Pandeiro, Ferreira Gullar, Lygia Clark, Nildo da Mangueira, Nininha e Waly Salomão. Mais.
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Manolo Piriz
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9:23
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